Dados e Insights

Indicadores do turismo sustentável: o que seu município precisa monitorar

A Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo da RITS-SP tem 15 indicadores em quatro eixos. Este artigo lista todos, com a frequência de coleta e a fonte de cada um, e mostra quais o município consegue levantar sozinho e quais dependem de acordo com terceiro.

12 de novembro de 2025
6 min de leitura
Indicadores do turismo sustentável: o que seu município precisa monitorar

A Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, da RITS-SP, tem 15 indicadores distribuídos em quatro eixos: econômico, ambiental, sociocultural e de governança. Para aderir à rede, o município não precisa monitorar os 15. Precisa de pelo menos um por eixo, com 12 meses de dados retroativos.

A lista abaixo segue o Manual da Matriz, do CIET/SETUR-SP, com o nome, a frequência de coleta e a origem do dado de cada indicador.

Eixo econômico: seis indicadores

  1. Taxa de ocupação nos meios de hospedagem. Mensal. Questionário respondido pelos próprios meios de hospedagem.
  2. Chegadas de passageiros em terminais rodoviários. Mensal. Acordo com a administração do terminal, que envia planilha mensal.
  3. Chegadas de passageiros nos aeroportos. Mensal, apenas para cidades com aeroporto. Base da ANAC ou painel do CIET.
  4. Chegadas de passageiros em transporte de fretamento. Mensal. Base da ANTT ou painel do CIET.
  5. Empregos formais diretos no turismo. Mensal. Painel do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, com as Atividades Características do Turismo divididas por CNAE.
  6. Arrecadação de ISS do turismo. Anual, alimentada por envio mensal de planilha. Acordo com a Secretaria de Fazenda do município.

Duas ressalvas que o Manual faz e que mudam a leitura do resultado. O Novo CAGED registra apenas emprego formal direto, e isso precisa ficar explícito em todo relatório: no turismo, informalidade e trabalho autônomo ficam de fora. E o ISS do turismo é recorte, não o ISS total do município: são os 11 grupos de atividades e os CNAEs de turismo, e quando a prefeitura organiza a arrecadação pelos códigos da Lei Complementar 116/2003, é preciso relacioná-los às atividades da CNAE e somar.

Eixo ambiental: quatro indicadores

  1. Gestão de energia. Coleta semestral, com dados mensais discriminados. Acordo com a concessionária de energia elétrica.
  2. Gestão de água e esgoto. Coleta semestral, com dados mensais discriminados. Acordo com a empresa de fornecimento de água e tratamento de esgoto.
  3. Qualidade das praias e águas interiores. Anual. Relatórios da CETESB, com pelo menos três anos de série para comparar a evolução.
  4. Gestão de resíduos sólidos. Anual. Relatórios da CETESB, também com pelo menos três anos. O CIET publica esses dados em painel interativo.

Os indicadores ambientais são o 7, o 8, o 9 e o 10 da matriz.

Eixo sociocultural: dois indicadores

  1. Acessibilidade, indicador 11. Anual, com o inventário atualizado todo ano. Levantamento presencial em atrativos, equipamentos turísticos e guias de turismo locais. O Manual pede levantamento em campo justamente para evitar informação improcedente.
  2. Satisfação Local, indicador 12. Anual. Pesquisa coordenada pelo CIET/SETUR-SP, com formulário online enviado aos gestores municipais. Janela de aplicação da segunda quinzena de novembro ao último domingo de janeiro, amostra orientada de 200 respostas e publicação em fevereiro.

Eixo de governança: três indicadores

  1. Plano de Manejo, indicador 13. Anual. Prefeitura ou Secretaria de Meio Ambiente, e a Fundação Florestal nas unidades que ela gere. Obrigatório apenas para municípios que têm unidade de conservação no território, seja ela federal, estadual ou municipal.
  2. COMTUR, indicador 14. Anual. Atas, planos de trabalho, relatórios de atividades e publicações no Diário Oficial. Não exige planilha: exige relatório anual de atividades.
  3. Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico, indicador 15. Acompanhamento anual, com atualização a cada três anos. Fonte: a Secretaria de Turismo. Também não tem planilha de controle, e sim relatório anual.

Quantos o município precisa monitorar para aderir

Quatro, um de cada eixo. O art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025 é literal: são aceitas as propostas de quem comprovar já monitorar pelo menos um indicador de cada eixo da Matriz, com dados retroativos a pelo menos 12 meses da data de solicitação da adesão.

Depois de aderir, há um segundo prazo que costuma passar despercebido: o município tem 90 dias corridos após o envio do formulário de adesão para submeter o relatório inicial, demonstrando os resultados desse monitoramento nos quatro eixos.

Por onde começar, na ordem de dificuldade

A diferença prática entre os 15 não é técnica, é de quem detém o dado. É isso que decide quanto tempo o município leva para fechar os 12 meses retroativos.

Não dependem de ninguém de fora. Acessibilidade, Plano de Manejo, COMTUR e Plano Diretor. São levantamento próprio e documentos que a prefeitura já tem. O eixo de governança inteiro está aqui.

Dependem de base pública, sem negociar com ninguém. Chegadas por aeroporto (ANAC), fretamento (ANTT), empregos formais (Novo CAGED), qualidade hídrica e resíduos sólidos (CETESB). O dado já está publicado; o trabalho é de extração e organização.

Dependem de acordo com um terceiro. Ocupação hoteleira, terminal rodoviário, energia, água e esgoto, e ISS do turismo. Nenhum deles existe sem a contraparte entregar planilha, e é por isso que são os que mais atrasam. O Manual reconhece a resistência do setor hoteleiro e sugere termo de confidencialidade entre as partes, além de deixar a tarifa média como campo opcional.

A leitura prática: comece pelo eixo de governança e pelas bases públicas, que fecham dois eixos sem depender de nada, e abra em paralelo a negociação com a Fazenda e com os meios de hospedagem, que é o caminho crítico do eixo econômico.

O passo concreto

  1. Marque, na lista acima, quais indicadores o município já tem em alguma forma, mesmo que em planilha solta.
  2. Confira se algum deles tem 12 meses de série. Sem isso, a adesão não é aceita.
  3. Escolha um indicador por eixo, o mais barato de cada, e feche esses quatro antes de tentar os outros.
  4. Abra agora a conversa com a Secretaria de Fazenda sobre o ISS segmentado e com os meios de hospedagem sobre a ocupação. São os dois que levam mais tempo.
  5. Se o município tem unidade de conservação, o Plano de Manejo passa a ser obrigatório no eixo de governança.

Quem quiser ver como isso aparece consolidado para o município, a demonstração está em circuito.tur.br/#demo.


Referências: Manual da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, CIET/SETUR-SP e RITS-SP, outubro de 2025; Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, art. 7º.

Seu município ainda não tem uma base de inteligência turística?

O CircuitoBR estrutura inventário, indicadores e relatórios prontos para a gestão pública — e apoia municípios paulistas no alinhamento à Matriz RITS-SP.

Compartilhe este artigo