Indicadores do turismo sustentável: o que seu município precisa monitorar
A Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo da RITS-SP tem 15 indicadores em quatro eixos. Este artigo lista todos, com a frequência de coleta e a fonte de cada um, e mostra quais o município consegue levantar sozinho e quais dependem de acordo com terceiro.

A Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, da RITS-SP, tem 15 indicadores distribuídos em quatro eixos: econômico, ambiental, sociocultural e de governança. Para aderir à rede, o município não precisa monitorar os 15. Precisa de pelo menos um por eixo, com 12 meses de dados retroativos.
A lista abaixo segue o Manual da Matriz, do CIET/SETUR-SP, com o nome, a frequência de coleta e a origem do dado de cada indicador.
Eixo econômico: seis indicadores
- Taxa de ocupação nos meios de hospedagem. Mensal. Questionário respondido pelos próprios meios de hospedagem.
- Chegadas de passageiros em terminais rodoviários. Mensal. Acordo com a administração do terminal, que envia planilha mensal.
- Chegadas de passageiros nos aeroportos. Mensal, apenas para cidades com aeroporto. Base da ANAC ou painel do CIET.
- Chegadas de passageiros em transporte de fretamento. Mensal. Base da ANTT ou painel do CIET.
- Empregos formais diretos no turismo. Mensal. Painel do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, com as Atividades Características do Turismo divididas por CNAE.
- Arrecadação de ISS do turismo. Anual, alimentada por envio mensal de planilha. Acordo com a Secretaria de Fazenda do município.
Duas ressalvas que o Manual faz e que mudam a leitura do resultado. O Novo CAGED registra apenas emprego formal direto, e isso precisa ficar explícito em todo relatório: no turismo, informalidade e trabalho autônomo ficam de fora. E o ISS do turismo é recorte, não o ISS total do município: são os 11 grupos de atividades e os CNAEs de turismo, e quando a prefeitura organiza a arrecadação pelos códigos da Lei Complementar 116/2003, é preciso relacioná-los às atividades da CNAE e somar.
Eixo ambiental: quatro indicadores
- Gestão de energia. Coleta semestral, com dados mensais discriminados. Acordo com a concessionária de energia elétrica.
- Gestão de água e esgoto. Coleta semestral, com dados mensais discriminados. Acordo com a empresa de fornecimento de água e tratamento de esgoto.
- Qualidade das praias e águas interiores. Anual. Relatórios da CETESB, com pelo menos três anos de série para comparar a evolução.
- Gestão de resíduos sólidos. Anual. Relatórios da CETESB, também com pelo menos três anos. O CIET publica esses dados em painel interativo.
Os indicadores ambientais são o 7, o 8, o 9 e o 10 da matriz.
Eixo sociocultural: dois indicadores
- Acessibilidade, indicador 11. Anual, com o inventário atualizado todo ano. Levantamento presencial em atrativos, equipamentos turísticos e guias de turismo locais. O Manual pede levantamento em campo justamente para evitar informação improcedente.
- Satisfação Local, indicador 12. Anual. Pesquisa coordenada pelo CIET/SETUR-SP, com formulário online enviado aos gestores municipais. Janela de aplicação da segunda quinzena de novembro ao último domingo de janeiro, amostra orientada de 200 respostas e publicação em fevereiro.
Eixo de governança: três indicadores
- Plano de Manejo, indicador 13. Anual. Prefeitura ou Secretaria de Meio Ambiente, e a Fundação Florestal nas unidades que ela gere. Obrigatório apenas para municípios que têm unidade de conservação no território, seja ela federal, estadual ou municipal.
- COMTUR, indicador 14. Anual. Atas, planos de trabalho, relatórios de atividades e publicações no Diário Oficial. Não exige planilha: exige relatório anual de atividades.
- Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico, indicador 15. Acompanhamento anual, com atualização a cada três anos. Fonte: a Secretaria de Turismo. Também não tem planilha de controle, e sim relatório anual.
Quantos o município precisa monitorar para aderir
Quatro, um de cada eixo. O art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025 é literal: são aceitas as propostas de quem comprovar já monitorar pelo menos um indicador de cada eixo da Matriz, com dados retroativos a pelo menos 12 meses da data de solicitação da adesão.
Depois de aderir, há um segundo prazo que costuma passar despercebido: o município tem 90 dias corridos após o envio do formulário de adesão para submeter o relatório inicial, demonstrando os resultados desse monitoramento nos quatro eixos.
Por onde começar, na ordem de dificuldade
A diferença prática entre os 15 não é técnica, é de quem detém o dado. É isso que decide quanto tempo o município leva para fechar os 12 meses retroativos.
Não dependem de ninguém de fora. Acessibilidade, Plano de Manejo, COMTUR e Plano Diretor. São levantamento próprio e documentos que a prefeitura já tem. O eixo de governança inteiro está aqui.
Dependem de base pública, sem negociar com ninguém. Chegadas por aeroporto (ANAC), fretamento (ANTT), empregos formais (Novo CAGED), qualidade hídrica e resíduos sólidos (CETESB). O dado já está publicado; o trabalho é de extração e organização.
Dependem de acordo com um terceiro. Ocupação hoteleira, terminal rodoviário, energia, água e esgoto, e ISS do turismo. Nenhum deles existe sem a contraparte entregar planilha, e é por isso que são os que mais atrasam. O Manual reconhece a resistência do setor hoteleiro e sugere termo de confidencialidade entre as partes, além de deixar a tarifa média como campo opcional.
A leitura prática: comece pelo eixo de governança e pelas bases públicas, que fecham dois eixos sem depender de nada, e abra em paralelo a negociação com a Fazenda e com os meios de hospedagem, que é o caminho crítico do eixo econômico.
O passo concreto
- Marque, na lista acima, quais indicadores o município já tem em alguma forma, mesmo que em planilha solta.
- Confira se algum deles tem 12 meses de série. Sem isso, a adesão não é aceita.
- Escolha um indicador por eixo, o mais barato de cada, e feche esses quatro antes de tentar os outros.
- Abra agora a conversa com a Secretaria de Fazenda sobre o ISS segmentado e com os meios de hospedagem sobre a ocupação. São os dois que levam mais tempo.
- Se o município tem unidade de conservação, o Plano de Manejo passa a ser obrigatório no eixo de governança.
Quem quiser ver como isso aparece consolidado para o município, a demonstração está em circuito.tur.br/#demo.
Referências: Manual da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, CIET/SETUR-SP e RITS-SP, outubro de 2025; Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, art. 7º.
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