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Emprego formal no turismo: como o município mede pelo Novo CAGED

O Novo CAGED é a fonte pública mais barata que o município tem para medir emprego no turismo, e é também a mais fácil de ler errado. Este artigo mostra como filtrar pelas atividades características, qual a diferença entre saldo e estoque, e o que o indicador não enxerga.

18 de julho de 2025
5 min de leitura
Emprego formal no turismo: como o município mede pelo Novo CAGED

O Novo CAGED é a fonte mais barata que o município tem para medir emprego no turismo: é pública, atualizada todo mês pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e não depende de acordo com ninguém. É também a mais fácil de ler errado.

Três coisas decidem se o número serve ou não: qual filtro se usa, se o que se está olhando é saldo ou estoque, e o que o indicador deixa de fora.

O filtro: as Atividades Características do Turismo

Não existe "setor turismo" no CAGED. O que existe são Atividades Características do Turismo, as ACTs, que são um recorte de códigos da CNAE agrupados em 11 grupos:

  1. Serviços de alojamento
  2. Serviços de alimentação
  3. Transporte rodoviário de passageiros
  4. Transporte aquaviário de passageiros
  5. Transporte ferroviário de passageiros
  6. Transporte aéreo de passageiros
  7. Aluguel de equipamentos de transporte
  8. Atividades de agências e organizadoras de viagens
  9. Atividades culturais
  10. Atividades desportivas e recreativas
  11. Organização de eventos

Uma observação que evita erro de planilha: essa lista de 11 grupos é a do emprego. A lista usada na arrecadação de ISS tem 10, porque "Organização de eventos" não entra nela. Quem monta as duas planilhas com a mesma lista erra uma das duas.

O CIET/SETUR-SP disponibiliza manual com o passo a passo para localizar as ACTs no painel do Novo CAGED, o que resolve a parte operacional do filtro.

Saldo não é estoque, e a confusão entre os dois é a mais comum

Saldo é admissões menos desligamentos no período. É um número de fluxo: diz se o mês foi de contratação ou de demissão. Estoque é quantos postos existem no total. É um número de nível.

O painel do Novo CAGED entrega saldo. Ele não soma estoque. Um município que reporta "o turismo gerou 40 empregos" está falando de saldo, e isso não responde quantos empregos o setor sustenta.

Os dois números servem, mas para perguntas diferentes. Saldo responde "o setor está contratando?". Estoque responde "qual o tamanho do setor?". Apresentar um pelo outro em conselho ou em prestação de contas é erro que um técnico de fazenda identifica na hora.

Vale também acompanhar o saldo acumulado, que soma os meses e mostra a tendência. Um único mês negativo não diz nada; doze meses negativos dizem.

O que o CAGED não enxerga

O Novo CAGED registra apenas empregos formais diretos. Não vê trabalho informal, não vê autônomo, não vê cooperativa. No turismo, onde a informalidade pesa, isso significa que o indicador subestima o tamanho real do setor.

Essa limitação precisa ficar explícita em todo relatório. Não é ressalva de rodapé: é o que separa um número honesto de um número que não se sustenta quando alguém pergunta.

Coisa diferente, e que costuma ser confundida com ela, é o efeito na cadeia produtiva. O Manual da Matriz de Indicadores da RITS-SP registra, citando o Conselho Mundial de Viagens e Turismo e a Oxford Economics, que cada emprego formal direto está associado a cerca de 1,8 emprego indireto. É estimativa nacional, não dado local, e não deve ser multiplicada pelo número do município para inflar o resultado.

Onde o indicador entra formalmente

Emprego formal no turismo é o Indicador 5 da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, no eixo econômico da RITS-SP, com coleta mensal. É um dos indicadores que o município consegue fechar sozinho, porque a base é pública: não depende de acordo com hotel, com terminal nem com a Fazenda.

Para quem pretende aderir à RITS-SP, isso importa. O art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025 exige comprovar monitoramento de pelo menos um indicador por eixo, com 12 meses retroativos. O CAGED é o caminho mais curto para fechar o eixo econômico, porque a série já existe publicada e pode ser puxada para trás.

A ordem de grandeza, para calibrar expectativa

O Balanço 2025 do CIET/SETUR-SP registra 34.173 novos empregos formais diretos no turismo paulista em 2025, alta de 3,7%. É saldo estadual, num ano.

Serve de referência para o gestor calibrar o próprio número: saldo municipal de dezenas de postos num ano é resultado normal, e não precisa ser apresentado como pequeno.

O passo concreto

  1. Abra o painel do Novo CAGED e filtre pelo município e pelos códigos CNAE das 11 ACTs. O manual do CIET traz o caminho.
  2. Puxe a série retroativa até onde a base permitir, não só o mês corrente. Série passada vale tanto quanto série nova, e é de graça.
  3. Registre sempre o mês de referência. Série sem data não se compara com nada depois.
  4. Separe saldo de estoque na própria planilha, em colunas distintas, para não trocar um pelo outro na hora do relatório.
  5. Escreva a limitação do dado no relatório, sempre: emprego formal direto, sem informalidade.

Quem quiser ver como isso aparece consolidado para o município, a demonstração está em circuito.tur.br/#demo.


Referências: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego; Manual da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, Indicador 5, CIET/SETUR-SP e RITS-SP, outubro de 2025; Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, art. 7º; Balanço 2025 do CIET/SETUR-SP.

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