Políticas Públicas

Como funciona o Indicador 11 de acessibilidade da RITS-SP

O Indicador 11 da Matriz RITS-SP mede acessibilidade em atrativos, equipamentos turísticos e guias, por levantamento presencial anual, em sete tipos: física, visual, auditiva, cognitiva, digital, comunicacional e social. Não substitui o inventário turístico, e pode ser adiado no relatório inicial se Satisfação Local já cobrir o eixo sociocultural.

07 de setembro de 2026
5 min de leitura
Como funciona o Indicador 11 de acessibilidade da RITS-SP

Como funciona o Indicador 11 de acessibilidade da RITS-SP

O Indicador 11 da Matriz RITS-SP mede acessibilidade em atrativos, equipamentos turísticos e guias locais, por levantamento presencial anual, em sete tipos diferentes: física, visual, auditiva, cognitiva, digital, comunicacional e social. É um dos dois indicadores do eixo sociocultural, ao lado de Satisfação Local.

O que o Indicador 11 mede exatamente?

Mede a proporção de estabelecimentos, atrativos e guias de turismo do município que oferecem algum recurso de acessibilidade, levantada uma vez por ano. A coleta é presencial, porque a Matriz RITS-SP considera esse o método que evita informação improcedente sobre o que de fato existe no local.

Quando o volume de pontos a visitar é grande demais para cobrir todos, a própria Matriz autoriza levantamento por amostragem, com posterior comparação ao número total de estabelecimentos, atrativos e guias do município. O indicador não exige inventário completo todo ano, exige atualização anual do que já foi levantado, com amostragem como alternativa declarada quando o universo é grande.

Quais tipos de acessibilidade entram no levantamento?

São sete, e cada um cobre uma barreira diferente: física, para locomoção, rampas e elevadores; visual, braille e piso tátil; auditiva, Libras e legendas; cognitiva, informação simplificada; digital, sites e aplicativos acessíveis; comunicacional, linguagem clara e sinalização; e social, atendimento que respeita a diversidade.

Tipo O que cobre
Física Rampas, elevadores, corrimãos, banheiros adaptados, sinalização tátil
Visual Braille, piso tátil, áudio, fontes e contraste adequados
Auditiva Legendas, intérprete de Libras, amplificação sonora, texto escrito
Cognitiva Informação simplificada, símbolos e ilustrações, sem sobrecarga
Digital Site e serviços digitais em padrão de acessibilidade web
Comunicacional Linguagem clara, comunicação visual, recursos alternativos
Social Atendimento e interação que respeitam a diversidade

Um mesmo local pode ter mais de um tipo, ou nenhum. O levantamento não pede uma nota única de acessibilidade: pede a contagem de quantos estabelecimentos, atrativos e guias têm cada tipo, o que permite ao gestor ver exatamente onde falta investimento, em vez de um índice genérico que esconde a barreira específica.

O levantamento de acessibilidade substitui o inventário turístico do município?

Não substitui. O inventário turístico é a base cadastral de atrativos, equipamentos e guias do município; não é indicador da Matriz RITS-SP e não comprova nenhum eixo sozinho, conforme a Resolução SETUR-SP nº 34/2025. O Indicador 11 usa esse mesmo universo cadastrado, mas mede uma camada específica sobre ele: quais desses pontos têm algum recurso de acessibilidade.

Município sem inventário atualizado tem dificuldade dupla: falta a base de quantos atrativos, equipamentos e guias existem, e sem essa base o percentual do Indicador 11 fica sem denominador confiável. Atualizar o inventário turístico antes de iniciar o levantamento de acessibilidade evita refazer a contagem duas vezes.

Como organizar a coleta e o cálculo do indicador?

A planilha de referência da Matriz pede duas colunas por grupo avaliado, estabelecimentos, atrativos e guias: a quantidade total levantada e a quantidade que possui algum tipo de acessibilidade, para depois calcular a proporção entre as duas. É esse percentual que vira o dado reportado no eixo sociocultural.

Vale registrar o levantamento por tipo de acessibilidade, não só o total com "alguma" acessibilidade, mesmo que a planilha-modelo da Matriz peça só o agregado. Guardar o detalhe por tipo, física, visual, auditiva e os demais, não custa mais na coleta e evita reabrir todo o levantamento presencial quando o Indicador 11 pedir o recorte por tipo no ciclo seguinte.

O que fazer se o município não conseguir levantar acessibilidade a tempo?

O eixo sociocultural tem só dois indicadores, Acessibilidade e Satisfação Local, e o relatório inicial de adesão à RITS-SP exige apenas um indicador por eixo, com dados retroativos a 12 meses, conforme o art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025.

Satisfação Local não exige levantamento presencial, é pesquisa anual conduzida pelo CIET, o que a torna a saída mais rápida enquanto o levantamento de acessibilidade é organizado. Isso resolve o relatório inicial, não substitui o Indicador 11 depois: acessibilidade é o único dos dois que mostra a infraestrutura real do território, e o material do Ministério do Turismo sobre turismo acessível ajuda a estruturar o primeiro levantamento presencial.

O Indicador 11 não compete com o inventário nem com a Satisfação Local: mede uma coisa que nenhum dos dois mede, a proporção real de acessibilidade no território, e é esse dado, não a existência do levantamento, que entra na Matriz.


Referências: Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo (RITS-SP), Indicador 11, CIET/SETUR-SP; Resolução SETUR-SP nº 34/2025, art. 7º; Ministério do Turismo, publicações sobre turismo acessível, gov.br/turismo.

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