Turista e excursionista na pesquisa de demanda
Como o Manual da RBOT, edição 2026, separa turista de excursionista: residência, permanência de 24 horas, pernoite e função remunerada.

Turista e excursionista são visitantes temporários cuja residência permanente é outra que não o local da pesquisa. O que os separa é a permanência: o turista fica pelo menos 24 horas ou faz ao menos um pernoite; o excursionista fica no máximo 24 horas, sem pernoite. Nenhum dos dois exerce função remunerada na localidade.
O que é visitante na pesquisa de demanda?
Visitante é o termo que reúne dois grupos: turistas e excursionistas. O número de visitantes de uma localidade é a soma dos dois. Ambos são visitantes temporários, nacionais ou estrangeiros, com residência permanente diferente do local da pesquisa, e nenhum exerce função remunerada na localidade.
A definição está no Manual Metodológico da Rede Brasileira de Observatórios de Turismo (RBOT), edição 2026, capítulo 4, seção 4.1. Como a residência permanente precisa ser outra que não o local da pesquisa, quem mora nesse local não é visitante. A condição de não exercer função remunerada vale para os dois grupos e deixa de fora quem trabalha na localidade. O manual registra ainda que dados confiáveis sobre o turismo são fundamentais para a formulação, a implementação e a avaliação das políticas públicas do setor.
Quem é turista?
Turista é o visitante temporário, nacional ou estrangeiro, cuja residência permanente é outra que não o local da pesquisa, que permanece pelo menos 24 horas ou faz ao menos um pernoite. Fica no máximo 365 dias e não exerce função remunerada na localidade. A permanência o distingue do excursionista.
Dois pontos merecem atenção. O primeiro é o piso: são dois caminhos para chegar a turista, permanecer pelo menos 24 horas ou fazer ao menos um pernoite, e basta um deles. O segundo é o teto: a definição fixa o limite de 365 dias de permanência para o visitante temporário.
Quem é excursionista?
O excursionista tem a mesma condição de residência do turista: mora permanentemente em outro lugar que não o local da pesquisa. A diferença é o tempo. Permanece no máximo 24 horas, sem realizar pernoite, e não exerce função remunerada na localidade. Quem reside fora, não trabalha ali e volta no mesmo dia, sem dormir no local, se enquadra.
O excursionista precisa cumprir as três condições ao mesmo tempo: residência fora do local, até 24 horas de permanência e nenhum pernoite. Se o visitante dormiu ao menos uma noite no local, o enquadramento passa a ser o de turista, porque o pernoite é critério da definição de turista.
Como se classifica o entrevistado?
A classificação depende de três informações: onde a pessoa mora, se exerce função remunerada na localidade e quanto tempo ficou, com ou sem pernoite. Quem mora no local da pesquisa não é visitante. Quem trabalha ali com remuneração também não. Os demais são turistas ou excursionistas, conforme a permanência e o pernoite.
A tabela resume os critérios de cada grupo, conforme a seção 4.1 do manual.
| Critério | Turista | Excursionista |
|---|---|---|
| Residência permanente | Outra que não o local da pesquisa | Outra que não o local da pesquisa |
| Permanência mínima | Pelo menos 24 horas, ou ao menos um pernoite | Não consta na definição |
| Pernoite | Ao menos um, como alternativa às 24 horas | Nenhum |
| Limite de permanência | No máximo 365 dias | No máximo 24 horas |
| Função remunerada na localidade | Não exerce | Não exerce |
O manual aplica essa lógica ao estimar o fluxo turístico de eventos: o questionário deve ter uma pergunta sobre o local de residência, que permite separar moradores e turistas (seção 11.2).
Por que a pesquisa separa turistas e excursionistas?
O manual define como objetivo principal da pesquisa de demanda traçar o perfil dos turistas e excursionistas que visitam a localidade: motivações, perfil socioeconômico, expectativas sobre produtos e serviços consumidos e perfil dos gastos de cada visitante. O número de visitantes é a soma dos dois grupos.
O manual recomenda realizar a pesquisa nas três temporadas, alta, média e baixa, o que amplia o número de questionários e permite comparar os perfis dos visitantes entre períodos. Se não for possível cobrir as três, a orientação é priorizar a alta e a baixa, que tendem a mostrar diferenças mais evidentes no perfil da demanda, no fluxo de visitantes, nos meios de hospedagem, nos gastos e na avaliação do destino.
O que conferir antes de ir a campo?
O modelo de questionário do Anexo 1 do manual pergunta o município ou país de residência (pergunta 1), se o entrevistado pernoita no destino e quantas noites (pergunta 2) e o principal motivo da viagem (pergunta 3). Não há pergunta específica sobre função remunerada na localidade. Quem adota o modelo precisa definir como verificar essa condição.
Fonte: Manual Metodológico da RBOT, edição 2026, capítulo 4, seção 4.1, com o Anexo 1 e a seção 11.2.
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