RITS-SP: o que é, como funciona e por que municípios paulistas deveriam participar
RITS-SP é a Rede de Inteligência do Turismo Sustentável do Estado de São Paulo — o primeiro ecossistema estadual de observatórios de turismo do Brasil. Este artigo explica o que é, como funciona, o que oferece e como um município pode aderir.

RITS-SP: o que é, como funciona e por que municípios paulistas deveriam participar
A sigla aparece com frequência nos documentos da SETUR-SP, nos materiais do CIET e nas conversas sobre inteligência turística em São Paulo. Mas o que é exatamente a RITS-SP, o que ela faz e o que um município ganha ao participar dela?
Este artigo responde essas perguntas de forma direta.
O que é a RITS-SP
A Rede de Inteligência do Turismo Sustentável do Estado de São Paulo — RITS-SP — é uma rede de observatórios de turismo municipais e regionais criada pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, através do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET/SETUR-SP), com apoio dos próprios observatórios existentes no estado.
Sua base normativa é a Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025.
O que a torna singular: é o primeiro ecossistema estadual de observatórios de turismo do Brasil. Diferente de iniciativas isoladas de municípios ou regiões, a RITS-SP conecta observatórios em torno de uma metodologia comum, compartilhada e alinhada às diretrizes da Rede Internacional de Observatórios de Turismo Sustentável da ONU Turismo — a INSTO/UNTourism.
Por que ela foi criada
O diagnóstico que motivou a criação da RITS-SP é claro: São Paulo tem centenas de municípios com classificação turística ou presença no Mapa do Turismo Brasileiro. Mas, em dezembro de 2024, apenas pouco mais de 20 municípios ou regiões do estado tinham algum estágio de desenvolvimento de observatório de turismo.
O alcance do monitoramento da atividade turística era, portanto, restrito. E o que existia operava de formas diferentes — sem metodologia padronizada, sem base comparável e sem um canal de comunicação entre os observatórios.
Isso criava um problema duplo: municípios sem dado comparável tomam decisões mais frágeis; e o estado, sem uma visão consolidada da atividade turística no seu território, perde capacidade de planejar e priorizar políticas públicas com evidência.
A RITS-SP foi a resposta institucional para esse problema.
O que a rede se propõe a fazer
As finalidades da RITS-SP foram definidas em 10 pontos pelo CIET/SETUR-SP:
Unificar metodologias e dados coletados para o monitoramento da sustentabilidade do turismo, através de uma matriz de indicadores, manual de procedimentos e plataforma de compartilhamento de dados. Facilitar a comunicação entre os observatórios de turismo no compartilhamento de conhecimentos e resultados. Ampliar o número de observatórios de turismo no Estado de São Paulo. Promover capacitações para implementação de novos observatórios e melhoria dos já existentes. Criar vínculos e sentimento de pertencimento e responsabilidade entre os observatórios do estado. Fortalecer a atividade de pesquisa em nível estadual. Fomentar a inovação no setor, identificando melhores oportunidades. Ampliar a base de conhecimento e dados para todo o estado. Garantir que os observatórios compartilhem seus resultados com a gestão pública e o mercado especializado. E centralizar o acesso à informação através da SETUR-SP, facilitando o desenvolvimento da atividade turística em todo o estado.
A Matriz de Indicadores: o instrumento central
O principal instrumento que a RITS-SP coloca à disposição dos municípios é a Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo para Monitoramento em Municípios Paulistas.
A Matriz organiza os dados em quatro eixos:
Eixo Econômico — mede o impacto financeiro do turismo: sazonalidade, movimentação de passageiros, geração de empregos formais e arrecadação de ISS nas atividades características do turismo.
Eixo Ambiental — monitora o impacto ambiental: consumo de energia e água, gestão de resíduos sólidos e qualidade de praias, rios e lagos em áreas turísticas.
Eixo Sociocultural — avalia aspectos sociais: acessibilidade nos equipamentos e serviços turísticos e satisfação da população local com o turismo.
Eixo de Governança — avalia a qualidade da gestão turística: atuação do COMTUR, existência e atualização do Plano Diretor de Turismo, participação da sociedade civil na agenda governamental e, quando aplicável, existência de Plano de Manejo em unidades de conservação.
A Matriz foi desenvolvida em alinhamento com as diretrizes da INSTO/UNTourism — o que significa que os dados coletados por municípios paulistas são metodologicamente compatíveis com os padrões internacionais de monitoramento do turismo sustentável.
O que a RITS-SP oferece aos municípios
Além da Matriz, a rede disponibiliza um conjunto de recursos de apoio:
Manual de uso da Matriz, com orientações detalhadas para cada indicador — fonte, método de coleta, periodicidade e formato de registro. Lista oficial de CNAEs das Atividades Características do Turismo, essencial para filtrar corretamente os dados do CAGED e do ISS. Modelos de formulários para pesquisas de demanda e levantamentos de campo. E workshops e capacitações online para municípios que queiram aprender a coletar, analisar e monitorar os dados de sustentabilidade do turismo.
Todos esses recursos são disponibilizados pelo CIET/SETUR-SP no portal turismo.sp.gov.br/ciet.
Como aderir à RITS-SP
A adesão à RITS-SP é aberta a entidades públicas e privadas e organizações da sociedade civil. O processo é feito por Termo e Formulário de Adesão, com três requisitos obrigatórios:
Equipe capacitada — o observatório deve ter equipe com capacidade para realizar coleta, análise e monitoramento dos dados.
Comprovação de monitoramento prévio — o observatório deve enviar relatório padronizado comprovando que já realiza monitoramento de pelo menos um indicador em cada um dos quatro eixos da Matriz, com dados retroativos a pelo menos 12 meses da data de solicitação da adesão.
Relatório anual — para permanecer na rede, o observatório deve enviar à RITS-SP relatório anual de resultados de monitoramento. O desligamento é automático em caso de ausência de relatórios por dois anos consecutivos.
Contato para informações e adesão: pesquisa@turismo.sp.gov.br ou portal turismo.sp.gov.br/ciet/rits.
O que o município ganha na prática
A participação na RITS-SP não é apenas institucional — ela tem efeitos concretos na operação do observatório municipal e na qualidade da gestão.
O município passa a usar uma metodologia reconhecida e comparável. Os dados coletados são compatíveis com os de outros municípios paulistas e com padrões internacionais — o que permite comparações reais, não apenas narrativas.
A equipe tem acesso a capacitação técnica e suporte metodológico do CIET, sem precisar desenvolver do zero um processo de monitoramento.
Os resultados do observatório entram em um sistema de compartilhamento estadual, aumentando a visibilidade do município no contexto da inteligência turística paulista.
E não menos importante: os dados coletados segundo a Matriz da RITS-SP cobrem boa parte dos indicadores relevantes para o ranqueamento trianual da SETUR-SP — o que significa que o observatório alinhado à rede produz, como parte natural do seu trabalho, informação útil também para os processos de avaliação estadual.
Referências: CIET/SETUR-SP — Rede de Inteligência do Turismo Sustentável do Estado de São Paulo (RITS-SP); Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025; Manual para Uso da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo para Monitoramento em Municípios Paulistas, outubro de 2025.