Gestão Pública

RITS-SP: o que é, como funciona e por que municípios paulistas deveriam participar

RITS-SP é a Rede de Inteligência do Turismo Sustentável do Estado de São Paulo — o primeiro ecossistema estadual de observatórios de turismo do Brasil. Este artigo explica o que é, como funciona, o que oferece e como um município pode aderir.

22 de maio de 2026
9 min de leitura
RITS-SP: o que é, como funciona e por que municípios paulistas deveriam participar

RITS-SP: o que é, como funciona e por que municípios paulistas deveriam participar

A sigla aparece com frequência nos documentos da SETUR-SP, nos materiais do CIET e nas conversas sobre inteligência turística em São Paulo. Mas o que é exatamente a RITS-SP, o que ela faz e o que um município ganha ao participar dela?

Este artigo responde essas perguntas de forma direta.

O que é a RITS-SP

A Rede de Inteligência do Turismo Sustentável do Estado de São Paulo, a RITS-SP, é um Grupo de Trabalho instituído pela Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, publicada no Diário Oficial do Estado em 8 de outubro de 2025, e coordenado pelo CIET, o Centro de Inteligência da Economia do Turismo da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado.

Ela reúne observatórios de turismo municipais e regionais em torno de uma metodologia comum, alinhada às diretrizes da Rede Internacional de Observatórios de Turismo Sustentável da ONU Turismo, a INSTO/UNTourism.

Uma precisão que evita mal-entendido: quem adere à RITS-SP é o observatório de turismo, não o município enquanto ente. O município adere por meio do observatório que constitui, ou por meio de estrutura regional da qual participe.

Por que ela foi criada

O diagnóstico que motivou a criação da RITS-SP é claro: São Paulo tem centenas de municípios com classificação turística ou presença no Mapa do Turismo Brasileiro. Mas, em dezembro de 2024, apenas pouco mais de 20 municípios ou regiões do estado tinham algum estágio de desenvolvimento de observatório de turismo.

O alcance do monitoramento da atividade turística era, portanto, restrito. E o que existia operava de formas diferentes, sem metodologia padronizada, sem base comparável e sem um canal de comunicação entre os observatórios.

Isso criava um problema duplo: municípios sem dado comparável tomam decisões mais frágeis, e o estado, sem uma visão consolidada da atividade turística no seu território, perde capacidade de planejar e priorizar políticas públicas com evidência.

A RITS-SP foi a resposta institucional para esse problema.

O que a rede se propõe a fazer

As finalidades da RITS-SP foram definidas em 10 pontos pelo CIET/SETUR-SP:

Unificar metodologias e dados coletados para o monitoramento da sustentabilidade do turismo, através de uma matriz de indicadores, manual de procedimentos e plataforma de compartilhamento de dados. Facilitar a comunicação entre os observatórios de turismo no compartilhamento de conhecimentos e resultados. Ampliar o número de observatórios de turismo no Estado de São Paulo. Promover capacitações para implementação de novos observatórios e melhoria dos já existentes. Criar vínculos e sentimento de pertencimento e responsabilidade entre os observatórios do estado. Fortalecer a atividade de pesquisa em nível estadual. Fomentar a inovação no setor, identificando melhores oportunidades. Ampliar a base de conhecimento e dados para todo o estado. Garantir que os observatórios compartilhem seus resultados com a gestão pública e o mercado especializado. E centralizar o acesso à informação através da SETUR-SP, facilitando o desenvolvimento da atividade turística em todo o estado.

A Matriz de Indicadores: o instrumento central

O principal instrumento que a RITS-SP coloca à disposição dos municípios é a Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo para Monitoramento em Municípios Paulistas, com 15 indicadores distribuídos em quatro eixos.

Eixo Econômico: mede o impacto financeiro do turismo, com sazonalidade, movimentação de passageiros, geração de empregos formais e arrecadação de ISS nas atividades características do turismo.

Eixo Ambiental: monitora o impacto ambiental, com consumo de energia e água, gestão de resíduos sólidos e qualidade de praias, rios e lagos em áreas turísticas.

Eixo Sociocultural: avalia aspectos sociais, com acessibilidade nos equipamentos e serviços turísticos e satisfação da população local com o turismo.

Eixo de Governança: avalia a qualidade da gestão turística, com atuação do COMTUR, existência e atualização do Plano Diretor de Turismo, participação da sociedade civil na agenda governamental e, quando aplicável, existência de Plano de Manejo em unidades de conservação.

A Matriz foi desenvolvida em alinhamento com as diretrizes da INSTO/UNTourism, o que significa que os dados coletados por municípios paulistas são metodologicamente compatíveis com os padrões internacionais de monitoramento do turismo sustentável.

O que a RITS-SP oferece aos municípios

Além da Matriz, a rede disponibiliza um conjunto de recursos de apoio:

Manual de uso da Matriz, com orientações detalhadas para cada indicador, incluindo fonte, método de coleta, periodicidade e formato de registro. Lista oficial de CNAEs das Atividades Características do Turismo, essencial para filtrar corretamente os dados do CAGED e do ISS. Modelos de formulários para pesquisas de demanda e levantamentos de campo. E workshops e capacitações online para municípios que queiram aprender a coletar, analisar e monitorar os dados de sustentabilidade do turismo.

Todos esses recursos são disponibilizados pelo CIET/SETUR-SP no portal turismo.sp.gov.br/ciet.

Como aderir à RITS-SP

A adesão à RITS-SP é aberta a entidades públicas e privadas e organizações da sociedade civil. O processo é feito por Termo e Formulário de Adesão, com três requisitos obrigatórios.

Equipe capacitada. O observatório deve ter equipe com capacidade para realizar coleta, análise e monitoramento dos dados. Não há estrutura prescritiva: pode ser unidade própria da secretaria, estrutura regional ou parceria institucional.

Comprovação de monitoramento prévio. O art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025 exige relatório padronizado comprovando monitoramento de pelo menos um indicador em cada um dos quatro eixos da Matriz, com dados retroativos a pelo menos 12 meses da data de solicitação da adesão.

Relatório inicial e relatório anual. O Termo de Adesão fixa 90 dias corridos, contados do envio do formulário, para o relatório inicial, em estrutura de nove seções, enviado em PDF ao CIET. O art. 10 da Resolução nº 34/2025 vincula a permanência na rede à entrega do relatório anual de balanço do monitoramento. O material de orientação do CIET prevê ainda o desligamento do observatório que deixar de apresentar relatórios por dois anos consecutivos, regra que está nas instruções da rede, e não no texto da resolução.

Contato para informações e adesão: pesquisa@turismo.sp.gov.br ou portal turismo.sp.gov.br/ciet/rits.

O que o município ganha na prática

A participação na RITS-SP tem efeitos concretos na operação do observatório municipal e na qualidade da gestão.

O município passa a usar uma metodologia reconhecida e comparável. Os dados coletados são compatíveis com os de outros municípios paulistas e com padrões internacionais, o que permite comparações reais, não apenas narrativas.

A equipe tem acesso a capacitação técnica e suporte metodológico do CIET, sem precisar desenvolver do zero um processo de monitoramento.

Os resultados do observatório entram em um sistema de compartilhamento estadual, e o relatório é publicado na página do Observatório no portal da SETUR-SP.

E manter a coleta nos quatro eixos organiza dado que o município precisaria de qualquer forma para planejar e prestar contas. Vale registrar o limite, porque a confusão é frequente: a RITS-SP não se confunde com o ranqueamento das Estâncias Turísticas e dos Municípios de Interesse Turístico, conduzido pelo GAMT sob a matriz do Decreto nº 70.596/2026. São instrumentos distintos, com finalidades distintas, e aderir a um não conta para o outro.


Referências: Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 8 de outubro de 2025, artigos 1º, 7º e 10; Termo de Adesão à RITS-SP; Manual para Uso da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo para Monitoramento em Municípios Paulistas, CIET/SETUR-SP, outubro de 2025; Decreto nº 70.596, de 13 de maio de 2026.

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