Pesquisa de Satisfação Local: o indicador que poucos municípios conseguem aplicar
A Pesquisa de Satisfação Local mede o que o morador pensa sobre o turismo na sua cidade. Tem janela de aplicação fixa, amostra mínima e prazo definido, e poucos municípios conseguem cumprir. Este artigo explica como funciona e como se preparar a tempo.

Pesquisa de Satisfação Local: o indicador que poucos municípios conseguem aplicar
Entre os indicadores do eixo sociocultural monitorados pela RITS-SP, há um que avalia algo raramente medido na gestão do turismo: o que o morador pensa sobre a atividade turística na sua própria cidade. É a Pesquisa de Satisfação Local — e ela tem uma particularidade que a torna mais exigente do que parece: janela de aplicação fixa, amostra mínima definida e prazo de divulgação que não se estende.
Entender essa lógica com antecedência é o que separa o município que consegue publicar o resultado do que fica de fora.
O que esse indicador mede
A Pesquisa de Satisfação Local avalia a percepção dos habitantes quanto aos benefícios econômicos, aos impactos ambientais e socioculturais do turismo, e à relação entre o governo e a população na gestão dessa atividade.
É um indicador qualitativo, mas estruturado: não se trata de impressão informal do gestor sobre "como a população vê o turismo", e sim de pesquisa formal, com metodologia e prazo definidos pelo CIET/SETUR-SP.
Como o processo funciona
A pesquisa é coordenada centralmente pelo CIET/SETUR-SP, que envia um formulário online aos gestores de turismo dos municípios. A partir daí, a responsabilidade de divulgação para a população é do município.
O período de aplicação é fixo: começa na segunda quinzena de novembro e se estende até o último domingo de janeiro. Fora dessa janela, não há como aplicar a pesquisa dentro do ciclo oficial daquele ano.
A meta de amostra é clara: 200 respostas, no mínimo. Os resultados são publicados pelo CIET/SETUR-SP em fevereiro, mas apenas para os municípios que atingiram respostas suficientes dentro do prazo. Quem não chega às 200 respostas simplesmente não tem seu resultado divulgado naquele ciclo.
O que essa janela exige do município
A combinação de prazo definido, divulgação a cargo do município e meta mínima de respostas torna esse indicador diferente da maioria dos outros monitorados pela matriz da RITS-SP.
Enquanto indicadores econômicos e ambientais costumam se apoiar em bases de dados já estruturadas — CAGED, CETESB, ANTT —, a Pesquisa de Satisfação Local depende inteiramente da capacidade de mobilização direta da gestão junto à população. Não há base pronta a consultar: o resultado existe na medida em que o município consegue, de fato, levar o formulário até o morador.
Isso muda a natureza do trabalho. Não é uma tarefa de coleta de dado já disponível, é uma tarefa de comunicação e engajamento com a comunidade, dentro do período em que a pesquisa está aberta.
Como se preparar com antecedência
A boa notícia é que esse é um dos poucos indicadores da matriz cujo sucesso depende quase inteiramente de planejamento, não de infraestrutura cara ou dado de terceiros.
Defina a estratégia de divulgação antes de novembro. Pensar nos canais — redes sociais da prefeitura, parceria com comércio local, divulgação em escolas e equipamentos públicos, QR code em pontos de grande circulação — com antecedência evita que a primeira quinzena da janela seja perdida em organização.
Diversifique os canais de acesso ao formulário. Quanto mais pontos de contato com moradores de diferentes perfis, maior a chance de atingir as 200 respostas com representatividade real, não apenas com o público mais engajado digitalmente.
Use o COMTUR e os parceiros locais como multiplicadores. Associações comerciais, escolas, igrejas e equipamentos culturais são canais naturais de disseminação dentro da própria comunidade.
Acompanhe o número de respostas durante a janela. Se a contagem estiver abaixo do ritmo necessário para chegar às 200 até o fim de janeiro, é o momento de intensificar a divulgação, não de esperar o resultado final.
Monitore o histórico, não apenas o ano corrente. O CIET orienta que o monitoramento inclua estudo comparativo com anos anteriores. Municípios que conseguem aplicar a pesquisa de forma consistente, ano após ano, constroem uma série histórica que vale muito mais do que um resultado isolado.
Por que vale o esforço
Entre os quatro eixos da matriz da RITS-SP, o sociocultural é o que mais raramente aparece em discursos de gestão pública do turismo, normalmente dominados por números de fluxo e arrecadação. A satisfação do morador, no entanto, é o indicador que revela se o turismo está sendo construído com a comunidade ou apesar dela.
Um município que demonstra, com dados, que sua população enxerga o turismo como benéfico tem argumento mais forte em qualquer instância de governança, em qualquer processo de captação de recursos e em qualquer debate sobre os rumos do desenvolvimento turístico local. É um indicador qualitativo com peso estratégico real.
A janela para o próximo ciclo começa na segunda quinzena de novembro. O planejamento, no entanto, precisa começar bem antes disso.
Referência: CIET/SETUR-SP — Manual da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo (RITS-SP), Indicador 12 — Satisfação Local, outubro de 2025.
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