Estância Turística: o que é, o que exige e por que esse título é diferente do MIT
A Estância Turística é o mais alto reconhecimento estadual para municípios com turismo consolidado em São Paulo. Este artigo explica o que é, quais são os requisitos, como se chega lá — e lista as 78 Estâncias Turísticas do Estado em 2025.

No Estado de São Paulo, o turismo municipal tem dois níveis de reconhecimento oficial: o MIT — Município de Interesse Turístico — e a Estância Turística. Se você já leu sobre o MIT e ficou com a dúvida sobre o que diferencia os dois, este artigo responde de forma direta.
A distinção importa na prática: os requisitos são diferentes, os critérios de avaliação são mais exigentes e o que o Estado espera de uma Estância vai além do que exige de um MIT. Entender essa diferença ajuda qualquer gestor a saber onde seu município está e para onde pode ir.
Assim como o MIT, a Estância Turística é uma política exclusiva do Estado de São Paulo. O que está descrito aqui não se aplica a outros estados brasileiros.
O que é uma Estância Turística
A Estância Turística é a classificação máxima concedida pelo Governo do Estado de São Paulo a municípios que já possuem turismo consolidado — com fluxo permanente de visitantes, atrativos de uso público e estrutura para receber turistas de forma contínua, não apenas em períodos específicos ou eventos pontuais.
O título existe desde a década de 1940, quando o Governo de São Paulo passou a apoiar cidades com vocação turística clara na estruturação de serviços, atrativos e infraestrutura. Por décadas, o processo era informal — um município se tornava Estância por indicação política, sem critérios técnicos objetivos.
Isso mudou com a Lei Complementar nº 1.261, de 29 de abril de 2015, que reformulou todo o sistema de classificação de municípios turísticos paulistas. A partir dela, todas as Estâncias passaram a ser chamadas de Estâncias Turísticas — independentemente da vocação histórica (balneária, climática, hidromineral) — e passaram a ser avaliadas por critérios técnicos em ciclos de ranqueamento a cada três anos.
O que diferencia a Estância do MIT
A diferença central está no nível de maturidade exigida.
O MIT reconhece potencial turístico — a cidade tem atrativos, infraestrutura básica e instrumentos de gestão, e demonstra capacidade de receber visitantes. É uma porta de entrada na rede estadual de municípios turísticos.
A Estância Turística reconhece turismo efetivo e consolidado — a cidade já tem fluxo permanente de visitantes, atrativos de uso público de caráter permanente, infraestrutura completa de apoio ao turista e gestão institucional ativa e comprovada.
Em termos legais, a Lei Complementar nº 1.261/2015 estabelece que a Estância exige, além dos requisitos do MIT, condições adicionais: infraestrutura de acesso adequado aos atrativos, serviços de transporte, comunicação, segurança e atendimento médico emergencial, além de sinalização turística nos padrões internacionais. O sistema de esgoto sanitário também é requisito para Estâncias, enquanto para o MIT basta o abastecimento de água e coleta de resíduos.
Na prática, a Estância é avaliada por um conjunto mais amplo de indicadores — infraestrutura, governança, oferta de atrativos, serviços turísticos, eventos, equipamentos culturais e capacidade de gestão — em um ranqueamento técnico conduzido pelo Grupo de Análise dos Municípios Turísticos (GAMT), vinculado à SETUR-SP.
Como um município se torna Estância Turística
O caminho é o mesmo do MIT: um deputado estadual apresenta projeto de lei à ALESP, a SETUR-SP emite parecer técnico e, aprovado, o projeto segue para sanção do governador.
A diferença está nos documentos exigidos, que são mais detalhados para a Estância: estudo da demanda turística dos dois anos anteriores, inventário completo de atrativos com localizações e vias de acesso, inventário de equipamentos e serviços turísticos, inventário de infraestrutura de apoio, certidões comprobatórias e cópia do Plano Diretor de Turismo com atas das seis últimas reuniões do COMTUR.
Mas há outro caminho — e ele tem se tornado cada vez mais relevante: a promoção via ranqueamento. A cada três anos, os MITs que obtiverem melhor desempenho no ciclo de avaliação podem ser promovidos à categoria de Estância, ocupando as vagas das Estâncias com menor pontuação.
Em novembro de 2025, oito municípios que eram MITs foram promovidos a Estâncias Turísticas após cumprirem todos os requisitos do ranqueamento finalizado em 2024: Tatuí, Jaú, Botucatu, Guararema, Sertãozinho, Buritama, Apiaí e Barra do Turvo. É um exemplo concreto de que o caminho MIT → Estância existe e funciona — mas exige trabalho sistemático de gestão, dado e governança.
O que muda depois da classificação como Estância
Os recursos são o benefício mais direto. As Estâncias têm acesso ao Fundo de Melhoria dos Municípios Turísticos (Fumtur), gerido pelo DADETUR, para obras de infraestrutura turística, sinalização, equipamentos e qualificação. O volume de recursos acessado por uma Estância tende a ser superior ao de um MIT, refletindo o nível mais elevado de exigência e a posição no ranqueamento.
O reconhecimento institucional também é mais amplo: as Estâncias integram o topo da rede estadual de destinos e costumam ter maior visibilidade em ações de promoção turística do Estado.
A contrapartida é a mesma lógica do MIT, só que mais exigente: o título não é permanente. Estâncias com menor pontuação no ranqueamento trianual podem ser reclassificadas como MITs, cedendo espaço para municípios melhor avaliados. A legislação estabelece que até 8 Estâncias com pior desempenho podem retornar à condição de MIT a cada ciclo.
Isso significa que manter o título de Estância exige gestão contínua — não é uma conquista definitiva. O ranqueamento avalia resultados reais, não apenas intenções ou documentos.
Quantas Estâncias existem hoje em São Paulo
Com a aprovação do PL 1.274/2025 pela ALESP e sanção do governador, São Paulo passou a contar com 78 Estâncias Turísticas — o maior número da história. O limite legal, estabelecido pela Lei Complementar nº 1.383/2023, é de até 80.
A lista abaixo apresenta as 78 Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo, conforme o ranqueamento do ciclo 2024/2025, organizada em ordem de ranqueamento conforme divulgado pela SETUR-SP.
Lista das 78 Estâncias Turísticas de São Paulo (2025)
Itanhaém, Caraguatatuba, Peruíbe, Atibaia, Tatuí, Botucatu, Praia Grande, Ribeirão Pires, Bragança Paulista, Jaú, Guararema, Sertãozinho, Serra Negra, São Sebastião, Buritama, Brotas, Barra Bonita, Iguape, Santos, Ibiúna, Batatais, Paraibuna, Apiaí, Barra do Turvo, Paranapanema, Lindóia, Campos do Jordão, Barretos, São Vicente, Amparo, Socorro, Piraju, São José do Barreiro, Presidente Epitácio, Guarujá, Tupã, Mongaguá, Santa Rita do Passa Quatro, Olímpia, Ibirá, Joanópolis, Águas da Prata, Santo Antônio do Pinhal, Morungaba, Águas de Lindóia, São Roque, Itu, Águas de Santa Bárbara, Araras, Cunha, São Pedro, Salesópolis, Tremembé, Avaré, Salto, Paraguaçu Paulista, Santa Fé do Sul, Ilha Comprida, São Bento do Sapucaí, Caconde, Monte Alegre do Sul, Ilha Solteira, Holambra, Bananal, Águas de São Pedro, Ibitinga, Cananéia, Bertioga, Ubatuba, Nuporanga, Guaratinguetá, São Luís do Paraitinga, Pereira Barreto, Analândia, Eldorado, Aparecida, Embu das Artes e Ilhabela.
⚠️ A ordem acima reflete o ranqueamento técnico do ciclo 2024/2025 realizado pelo GAMT/SETUR-SP. A lista oficial está disponível no site da ALESP e da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.
Referências: Lei Complementar nº 1.261/2015 e Lei Complementar nº 1.383/2023 — ALESP; PL 1.273/2025 e PL 1.274/2025 — ALESP; SETUR-SP e Agência SP, novembro/dezembro de 2025.